terça-feira, 3 de novembro de 2009

Em formação a sul

Dou por mim a espreitar pela porta das urgências do hospital enquanto caminho para a sala de formações. .
Ouço os meus colegas partilharem experiências e sinto orgulho neles. Os enfermeiros deste país são heróis. Heróis sem medos e de coração forte.

domingo, 1 de novembro de 2009

O.

A O. é uma senhora linda. Está internada há já algum tempo a recuperar devagarinho de um AVC que a deixou sem que consiga exprimir-se com palavras.
Repete vezes sem conta ao longo do dia bó bó para tudo o que precisa de dizer, pedir ou agradecer. Não compreende tudo o que lhe dizem, e por isso tento falar-lhe sempre baixinho, devagar e repetindo várias vezes. De vez em quando meto-lhe um rebuçado de frutas na boca e ela fica muito contente.
Esta semana foi-lhe dito que terá alta. Vi-lhe os olhos azuis torneados de vermelho de tanta dor.
Tentei tirá-la da cama para irmos apanhar sol. Respondeu bó bó e o estender de braços fez me perceber que sim. Que queria.
Sentei-me no muro, as minhas mãos e as dela juntas. Repetiu bó bó e bó bó como se tudo fizesse sentido. Olhava para mim nas pausas. E perguntava-me com o olhar se não achava que ela tinha razão. Apontou para os dedos em sequência, bó bó bó bó. Chorou.
Fechava os olhos muito tempo.
E quando os abria olhava para mim.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

moço eu fico todo arrepiado a ver isto

http://www.youtube.com/watch?v=A9CmZXSSYmc

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Tenho um chefe novo. Daqueles que vêm para impor respeito aqui ao enfermeirinhos saídos da casca que nem sequer chegam aos 30 anos. Somos uma cambada de miúdos…meio que atrasados mentais a quem ele vem dar a sua contribuição para nos meter na linha, nos dar educação e ensinar o que é o respeito.
Já tivemos o nosso primeiro encontro. Foi tão encantador! Este senhor fez-me ficar pasmada de incredibilidade. Ouvi-lo gritar de dedinho empinado contra mim foi um regresso ao passado. Relembrar as minhas queridas professoras freiras que tantas vezes me ensinaram via berros e arrogância qual era o meu lugar. Agradeço-lhes. Agradeço mesmo, porque hoje ninguém me faz o mesmo ou pelo menos não me fazem sentir a tristeza de antes.
Estou a pensar oferecer-lhe um chicote :)

domingo, 11 de outubro de 2009

Aos Domingos

Hoje foi uma tarde de trabalho diferente. Pouco doentes no serviço, vários enfermeiros a trabalhar e por isso sobra tempo. Tempo para dar atenção aquelas coisas que até vemos mas não temos tempo para mudar ou detalhar.
O C. pediu-me mal cheguei para o passar para a maca e levar a “tomar sol”. Quem me dera, leve-me enfermeira…
Hoje levei.
O C. é de cabo verde. Um homem pobre, que deve ter crescido e vivido sempre na mesma aldeia e desde cedo começou a trabalhar. Fez-me diversas perguntas. Se as árvores que nos rodeavam davam frutas, se era sempre verão em Portugal, se eu já tinha comido cachupa, que é tão boa, quanto custava o hospital, se havia lobos na serra e se os via passar.
Falou muito. Deixe-o deliciado e eu própria mais uma vez fiquei a admirar o lugar. Ainda soltei uma gargalhada sincera e boa quando me perguntou: Enfermeira custa um telemóvel muito caríssimo em Portugal?
Falou-me do peixe de cabo verde, de como era a vida dele, e mostrou-se conformado com a nova vida que terá. Não sabe muito do mundo, das coisas nem parece ter noção do tamanho do mesmo.
Transparece uma tranquilidade imensa. Vive deitado entre macas e camas há 4 meses.

Estive em Lisboa

Tenho pensado… que eu devia era estar numa cidade grande. Que rapidamente me habituaria de novo às multidões, aos enjoos no metro, ao cheiro dos outros muito perto de mim, à sua mistura.
Gosto de observar. De me deslumbrar com gente. Gente sem medos de ser diferente e que ilusoriamente ou não, me parece ligar menos à vida alheia.
Ter caminhos alternativos. Programas e ofertas variadas de experiências, todos os dias. Cores movimento, pessoas, música, arte, lugares.
Não queria correr para apanhar o transporte que me levaria ao emprego. Mas sinto falta de mais adrenalina. Mais movimento à minha volta.
Uma terrinha sossegada no Algarve é perfeita para se sentir paz, tranquilidade, sossego. E isto é tudo para mim. Mas o meu corpo, a minha mente parecem pedir mais.
Quererá o passarinho voar?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pikus Pikuz Maçarico

O meu querido amigo D. faz anos hoje. E somos realmente amigos, do peito, do coração e do maravilhoso Porto mas eu perdi o número dele.
Tenho saudades tuas e de me rir contigo. De te abrir a porta da minha casa e conversarmos sobre nada e sobre tudo, na altura em que não havia horas para acabar uma conversa. A distância até podia fazer me esquecer a data, mas um amigo como tu é coisa que me lembro sempre. E no fundo és o meu merdoso favorito. E eu gosto de ti*
Parabéns:)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Foi lindo


lindo*

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Porque ainda é verão


Adoro a praia em Setembro. Está a temperatura perfeita, quase vazia e a água deliciosa. Deito-me e adormeço ao som do mar. Quando acordo perco algum tempo a olhar para o céu e fico simplesmente a deslumbra-lo. Faço caminhadas pela areia e volto para a toalha onde adormeço novamente.
Simples e delicioso.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Casório

As meninas


Os padrinhos


Os meninos

Os noivos


quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Estrelinhas do sul

Parece que dois meninos estão doentinhos em casa.. logo agora que a enfermeira rumou ao norte.
Eu queria estar pertinho e cuidar de vocês. Fazer-vos papinha de fruta com muita laranja. E dar-vos colinho e beijinhos sem querer saber da gripe.
Não há vírus que supere o amor que se sente.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Frio em Agosto

O F. disse me que tinha muito frio. Que já batia os dentes e queria ir para cama e ficar todo tapadinho
Estou gelado por dentro. Sinto o meu corpo congelado por dentro. Enquanto tremia e batia o dente.
Expliquei-lhe porquê. O que mudou no seu corpo para que agora não seja tão fácil manter-lhe a temperatura ideal. Porque é que o ar condicionado a uns refresca e a ele o estava a congelar.
Deitei-o na cama. Posicionei-o até que se sentisse bem. Tapei-o tapadinho com lençol, colcha e afagos. E meti-lhe um caramelo na boca.
Pensei como é pequenino este menino. Como é transparente no terror que sente, como ainda fica mais pequenino tapadinho até ao pescoço com os olhos castanhos e pestanudos a sobressair na cama branca. Falamos de caramelos de fruta, das derrotas do Sporting, do hipotálamo e da medula com a mesma calma e descontracção.
Fui aconchegando a roupa da cama e passando a minha mão pelos seus braços e pernas para que o frio passasse. Vai passar digo-lhe. E ficas comigo até que passe? Fico.
Quando avaliei a temperatura pela última vez a hipotermia tinha passado e o F. dormia. Ia a sair do quarto quando os outros dois doentes que o partilham com ele me perguntam a sussurrar

O F. adormeceu Diana? Ele está bem?
Sim. Vamos deixá-lo dormir.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Havemos de ir a Viana

Entre sombras misteriosas
em rompendo ao longe estrelas
trocaremos nossas rosas
para depois esquecê-las.

Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.

Partamos de flor ao peito
que o amor é como o vento
quem pára perde-lhe o jeito
e morre a todo o momento.

Se o meu sangue não me engana
como engana a fantasia
havemos de ir a Viana
ó meu amor de algum dia
ó meu amor de algum dia
havemos de ir a Viana
se o meu sangue não me engana
havemos de ir a Viana.

Ciganos, verdes ciganos
deixai-me com esta crença
os pecados têm vinte anos
os remorços têm oitenta.


Pedro Homem de Melo


Tenho saudades de viana e de a ver romper na ponte. Tenho saudades da minha terra.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

F.

Diana para onde achas que vão as pessoas quando morrem?
Não sei. Mas acredito que morrem em paz. Porque me perguntas isso?
Porque eu não sei porque não morri no acidente. Nem sei o que é que devo fazer no mundo agora que estou assim. Será que se tivesse morrido… será que sentiria o meu corpo lá para onde se vai? Ainda penso que é um pesadelo. Isto. Não sentir o meu corpo.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Recordações


A quase apenas um mês do casório cá estamos nós. A madrinha, o padrinho e o noivo. Isto há uns anos atrás numa noite de enganos mas de loucura fresca, da boa.
O meu amigo vai casar, e eu e o Dias vamos estar ao lado dele. Como já o fizemos nas alegrias, nas tristezas e em todos os dias da nossa vida.
Para sempre.

E o menino, dança? ;)
 
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