sábado, 19 de dezembro de 2015

A um mês


fecho os olhos e imagino que faço os ponteiros do relógio girar mais depressa. depois lembro-me, relaxo e aceito o tempo como ele é e como ele passa.
porque tudo o que aí vem é já tudo o sempre sonhei.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Bem Vindo Dezembro



Este ano faço as pazes contigo. Este ano volto a receber-te de braços abertos e tu chegaste cheio de sol, de folhas mostarda, de abraços apaixonados, de esperança.
Este ano és coragem e libertação, e fazes de mim corajosa e feliz.

sábado, 22 de agosto de 2015


Esta menina escolheu-te, disseram-me todos. A nossa ligação foi imediata e dei por mim a pensar em todas as formas de a trazer comigo, mesmo que isso significasse ficar por uma longa temporada na Tailândia. Ela corria para mim, pedia-me colo, adormecia nas minhas pernas, enchia-me de beijos. Não precisamos de falar a mesma língua para termos brincadeiras sem fim. 
Desde cedo fui advertida para ser cautelosa, podíamos ambas sofrer no dia de nos separarmos, mas quem diz isso a um coração apaixonado? quem o convence? Nem no dia em que lhe disse adeus acreditei que era para sempre. Ainda hoje penso nela, todos os dias penso nela, na maneira perfeita como encaixava no meu colinho, na maneira perfeita que me fez perceber que seria capaz de a amar como filha mesmo que não tenha nascido de mim.
Esta criança especial, maravilhosa, perfeita e cheia de potencial mudou a minha vida. Fez-me deixar de ter medo de um dia não ser mãe. Fez-me ter a certeza absoluta que serei. Porque mesmo que, por algum motivo não nasçam do meu corpo, aos meus filhos o meu coração é sem duvida capaz de amar sem restrições. Sem nacionalidades, sem limites.
Fará parte de mim.

sábado, 15 de agosto de 2015

Sangkhlaburi



Acordei de manhã muito cedinho, antes das 7h. Senti um entusiasmo como já não me lembrava de sentir, estava ensopada em suor, os lençóis, o cabelo molhado, que calor era este?

A minha Fani, querida francesa com quem dividia casa, ofereceu-me um café solúvel que me soube a mel. Estava feliz.
Subimos juntas a colina que nos levava de volta ao orfanato, falamos muito e eu não senti qualquer dificuldade em expressar-me, a Fani era maravilhosa a descobrir o que os meus olhos diziam e a minha boca não falava. Ficamos amigas em segundos.

Este dia foi tão intenso. As crianças estavam de férias e tínhamos combinado um dia no rio e um fim de tarde no mercado. Quando me viram entrar no portão começaram a correr na minha direcção, abraçaram-me e deixei me cair ao chão para que nos abraçássemos todos juntos. O meu coração estava uma lua cheia, brilhante e repleto de amor. Eu senti-me tão protegida e amada, respirei finalmente de alivio, senti que tinha feito a escolha certa.
Fomos de carrinha de caixa aberta pela mata fora, estava responsável pelas mais de 30 crianças que estavam na lista dos escolhidos para ir ao rio. Tentava desesperadamente ampará-los a todos quando os solavancos na carrinha os fazia vibrar de alegria, depois simplesmente respeitei a liberdade a que estavam habituados. Senti que muito tinha a aprender com aquelas crianças. Tão pequeninas, tão independentes, tão valentes e aventureiras, tão resistentes às adversidades.
Nadámos vestidos no rio, a frescura da água e os mergulhos sem fim. As gargalhadas, as brincadeiras, o colinho tão bom. 
Estava no sitio certo, era exactamente aquilo que eu procurava. Amor, puro amor. Estava ali à minha frente, um desafio, um cuidar desmedido e nada pretensioso,  
Estavam ali comigo 30 crianças sem pai, sem mãe. E eu só as queria a todas para mim. 

terça-feira, 28 de julho de 2015

três meses depois

Estou de volta. Foram simplesmente os três meses mais felizes da minha vida, uma experiência incrível, parece que passaram anos tamanha foi a absorção de vida.
Nada correu mal e muitas vezes dei comigo a pensar que tudo era melhor do que eu alguma vez tinha sonhado. As pessoas, os lugares, as aventuras, o viver intensamente, cheia de alegria, cheia de ideias, cheia de vida, cheia de energia, a sorrir o tempo todo.
As viagens são folhas em branco na nossa vida, é incrível como se torna tudo tão mais claro, como ouvir a voz do nosso coração nos leva ao melhor que a vida tem. Como a clareza nos invade e como as gavetas há tanto tempo desarrumadas ficam limpas e fechadas para sempre.
A vida sabe o que faz. E ensinou-me a fazer melhor também.
Singapura recebeu-me de braços abertos, quente, muito quente, organizada, limpa, soube-me a férias.
A Tailândia foi o abanão, foi o quero-ficar-aqui-para-sempre. Quero ser mãe destes meninos todos, quero ajudá-los em tudo. Quero protege-los. Recebia mil abraços e beijos, tinha crianças no meu colo a toda a hora, brincávamos muito. Pude ser enfermeira e sentir que gostava de o ser. Andei de mota pelas montanhas, enfrentei alguns medos, perdi-me no meio de uma tempestade, vi pirilampos na escuridão e chorei de felicidade. Passei alguma fome, fiquei magra como os milhões de cães que via na rua. Repensei a minha vida toda, resolvi seguir o meu caminho, pelo menos por enquanto. Admirei a calma com que os tailandeses vivem e redefini as minhas noções de vida boa. Fui acolhida e acarinhada, chamavam-me sister, pediram-me que ficasse mais tempo. Não os esqueci, nasceram amores eternos, penso nos meus meninos a toda a hora.
Cheguei a Bali em transe. E não podia ter escolhido um sitio mais mágico para me receber. O programa de voluntariado foi uma desilusão, uma pequena fraude, mas tudo o resto parecia ter estado sempre à minha espera.
Fiz um curso de yoga intensivo e nunca mais serei a mesma. Descobri uma nova forma de viver que, por fazer todo o sentido quero segui-la para sempre. Pratico-a todos os dias desde então, ajuda-me tanto a focar no que quero para mim, a encarar a vida com outros olhos e tranquilidade.
Em Bali subi montanhas, atirei-me para lagoas, pensei que morria numa lancha em mar alto. Mergulhei no mar mais azul de sempre, tentei fazer mergulho e tive de ser socorrida. A temperatura era perfeita. As pessoas as mais simpáticas de sempre, Em Bali renasci, tamanha a magia daquela ilha.
Tenho tanto para contar, tantos projectos, tanta vontade de seguir novos caminhos. Começando-se perde-se o medo. Não se quer parar mais.
Vejo agora uma gaiola aberta à minha frente. Vejo o meu chefe a sorrir-me na porta da entrada já com a chave e a tranca na mão. Vejo-me a sorrir para ele, a abraça-lo e a agradecer-lhe a oportunidade de me ter deixado andar no céu nos últimos três meses. 
E não quero ver mais nada, faltam-me ainda alguns dias. Aprendi a não projectar demasiado o futuro. Ouve uma monja que me disse que eu tinha tudo o que era preciso. Tinha um coração bom. Não disse demasiado bom, demasiado grande. Disse-me que era na medida certa. O meu coração é a minha casa, confio tanto nele que não sinto medo. 
Agora só vou onde ele me levar.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

A poucas horas

Das poucas certezas que tenho tido nos últimos tempos, esta decisão foi a mais certa de todas. Acreditei nela, lutei muito até chegar aqui. Fiz todas as perguntas, pensei em tudo. E tudo se foi acertando.
Cheguei aqui, tenho as malas prontas. Esta sou eu, sinto-o dentro de mim. Esta, sou eu, pura, aberta ao mundo, sem amarras.
Que comece a viagem e que eu encontre o que procuro, porque até agora eu não sei o que é. Sei que é forte, chama por mim desde sempre, me faz acreditar que sou capaz, e me vai trazer algo de fundamental para seguir o meu caminho, um dia de cada vez, segura de mim.
Sinto-me muito protegida. Ouço-o, sinto-me é me demonstrado muitas vezes.
Os meus amigos, as pessoas que me fazem bem, os abraços perfeitos, muitas outras mãos se juntaram às minhas, reuni esforços, juntei todas as forças e juntos conseguimos.
Agradeço. Agradeço tanto. Agradeço tudo.
E assim feliz, vou dar o meu melhor.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

As doentes especiais

E quando estava prestes a vir embora ela, velhinha, surda e esquecida, olhou-me nos olhos e disse:
" e agora o que vais cantar?"



quarta-feira, 22 de abril de 2015

o que sinto

Fazer noites é das piores coisas que eu faço. Se tiver que eleger uma coisa certa no futuro a ser eliminada esta é uma delas.
Não me acredito que estou a despedir-me de uma casa de novo. Um dia vou querer morar numa casa onde queira ficar muito tempo. Quero saber decidir.
A melhor coisa que me podia acontecer neste momento?
Estar de viagem marcada. E ir:)




quarta-feira, 8 de abril de 2015

A 21 dias



Rise up this mornin',
Smiled with the risin' sun,
Three little birds
Pitch by my doorstep
Singin' sweet songs
Of melodies pure and true,
Sayin', "This is my message to you-ou-ou: "


Singin': "Don't worry about a thing, worry about a thing, oh!
Every little thing gonna be all right. Don't worry! "
Singin': "Don't worry about a thing" - I won't worry!
"'Cause every little thing gonna be all right."

terça-feira, 7 de abril de 2015

A 22 dias


Acreditar mais do que nunca na força dos sonhos.

Acreditar na sensatez da vida, no seu compasso. Compreender a natureza das coisas, dos acasos, das grandes e das pequenas mensagens. De como as pequenas podem crescer quando bem processadas. Não evitar os tempos de pensar e lembrar-me mais daqueles em que pensar não é preciso.

Agradecer e saber querer mais. Crescer com esta aprendizagem.

Viver. Ir. Acreditar por completo em mim e no mundo. E na forma como para começar vai ser preciso sermos só os dois.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Como uma flôr vermelha


À sua passagem a noite é vermelha, 
 E a vida que temos parece Exausta, inútil, alheia.
 Ninguém sabe onde vai nem donde vem, 
 Mas o eco dos seus passos 
 Enche o ar de caminhos e de espaços 
 E acorda as ruas mortas. 
 Então o mistério das coisas estremece
 E o desconhecido cresce Como uma flor vermelha.


Sophia de Mello Breiner

terça-feira, 24 de março de 2015

sábado, 14 de março de 2015


Começou aqui. A semana das novas novidades, dos sins da vida.
Afinal os milagres acontecem e fomos festejar.
E quando dei por ela, fui injusta a senti-me sozinha tantas vezes... quando havia tanta luz à minha volta.
Vou voar mas elas são um bom motivo para voltar um dia... para o  meu porto.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Walking on a dream


Paro para pensar. Para me ouvir.
Acredito nas surpresas da vida, nos pequenos, deliciosos e inesperados momentos que mudam tudo. Que tornam as memórias felizes.

Sinto-me cada vez mais perto do meu sonho antigo. De saltar do trapézio. Sei cada dia mais certa disso, que não fui feita para aprisionar, sou feita de liberdade. 
Acredito no amor, no amor e nas suas diferentes formas de amar. Pessoas, coisas, músicas, cheiros, olhares, mergulhos, animais, abraços, árvores. De amar.
O meu coração sabe guardar, sabe deixar partir, sabe renovar esperanças, sabe recuperar o sopro. 
O meu coração saberá guiar-me daqui para a frente.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Coisas do meu estranho coração

Porque acredito que muitas foram as vezes em que pedi. Coração meu, pede-me outra coisa, abre-me outro caminho, deixa-me percorrer o mais fácil, facilita-me a vida.
E ele respondia-me. Escolhe tu.
E eu preferia facilitar. Então ele batia, ritmado, certinho, pequeno na caixinha do meu peito.
Então cansado perguntou-me ele a mim. Di minha, tens tu noção do quanto podemos juntos abraçar?
E então deixei-o comandar e ele foi crescendo, crescendo me absorvendo e de repente já não cabemos aqui.
E juntos vamos voar.
 
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