Lembro – me que quando nos despedimos no Brasil, tivemos a certeza que nos reencontraremos um dia. E os anos passaram, mas o dia chegou.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Descobrimentos, dois anos depois
Lembro – me que quando nos despedimos no Brasil, tivemos a certeza que nos reencontraremos um dia. E os anos passaram, mas o dia chegou.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Respirar
segunda-feira, 6 de abril de 2009
A minha fruta na Primavera
quinta-feira, 2 de abril de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
P.
-Sim enfermeira. Tenho bufas, ar, peidos, pus o que quiser. Como quiser. Mesmo que não queira.
Ensinei-lhe uma música do Rui Reininho, que cantávamos os dois quando lhe dava banho de manhã. Do meu nome raramente se lembrava, mas sempre que me via começava a cantar...
“Tu és tudo de A a Z, tu és tudo e o meu lado B….”
Ás vezes só me apercebo como alguns doentes são especiais quando se vão embora, quando chego e as suas camas estão vazias ou ocupadas por outra pessoa. Relembrei o P. hoje. As muitas vezes que me zanguei com ele por se meter em todas as conversas que ouvia, ou fazer piadas com a desgraça alheia. Mas o P. era tão humorístico! Acho que todos os que trabalhamos com ele acabamos por várias gargalhadas soltar, com os pensamentos que ele partilhava instintivamente. Muito inteligente e autêntico.
Mesmo sem nunca imaginar, hoje soube que o P. deixou saudades.
American boy:)
quinta-feira, 19 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
N.
Volto a falar do N. porque ele é tão doce que o quero guardar aqui mais uma vez.
O N. tem melhorado muito. Já recuperou o volume da voz, engordou e tem muita mais força do que antes. Já come pela própria mão, já toma banho sozinho, e veste-se quase sem ajuda. É muito carinhoso e interessa-se por todos à sua volta. Pede-me abraços quando me vê chegar e pergunta-me sempre se estou bem. Durante a noite, quando acorda e não consegue voltar a adormecer, pede-me que lhe segure na mão e diz-me que gosta muito de mim.
Não gosta de ver ninguém triste. Defende os mais fraquinhos e faz-lhes festinhas, e faz questão de mostrar que sabe o nome de todos.
Rio – me muito quando acorda a cantar “ aaaaaaaai amoooor ai ai ai ai amooooor é amor”
A educação e a ternura do N. faz com que todos gostem dele. Também á fácil gostar. É fácil cuidar, de quem tanto afecto dedica aos que o rodeiam.
Hoje vejo o N. como exemplo. É tão importante semear amor, no dia a dia, nas situações mais simples. E acredito muito, que quem o fizer é recompensado por isso.
(A Nádia visita o N. algumas vezes, ele aguarda ansioso todas essas visitas, e conta os dias que faltam até ela voltar:))
segunda-feira, 9 de março de 2009
Parabéns para ti*
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Dias de Verão
Fui com a Rita, minha amiga do coração. Estava calor e ela desafiou – me para uma caminhada à beira mar. Ainda passeamos um bocadinho mas a temperatura da água nesse dia estava tão boa mas tão boa que resolvermos ir a nado. E fomos, costa fora, nadamos e nadamos e mergulhamos e rimos. Via-se o fundo do mar e ficamos tempo infinito a recarregar energias, a boiar e a baloiçar nas ondas.
Foi tão bom.
Lembro-me deste dia e desejo com todas a minhas forças poderosas que o verão volte. E que venha para ficar. Porque eu preciso. Sim?
Beijinho Rita tenho sempre saudades de ti*
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Fico grata.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Aninhas
Quando se chega a um lugar novo o mais importante de tudo são as pessoas que encontramos e desde logo senti que não podia ter tido melhor sorte. Aqui descobri e ganhei amigos, colegas e até doentes que fui conhecendo melhor e com quem crio laços e afinidades o que me faz sentir tão bem e feliz.
A Ana foi a minha primeira amiga e hoje regressou definitivamente para o norte. Resolvi desta vez, ver apenas o lado positivo desta partida. Tentei convencer o meu coração a manter-se calminho sem grandes dores, que esta coisa de se ver os amigos partir não é mesmo nada fácil quando se cria uma família a quilómetros da nossa.
A Ana foi também a primeira pessoa com quem brindei a chegada de 2009. Lembro-me de te ver comer as passas em sofrimento, e lembro-me de várias vezes nessa noite relembrares o anjinho que concretiza os desejos de ano novo que o teu maior era regressar a Aveiro e ser enfermeira pertinho de casa.
Lembro-me de estares abraçadinha a mim e me dizeres isso. Por isso hoje, quando te abracei deixei-te ir, porque isto de se ser amigo também passa por se respeitar a liberdade e a escolha. E eu não queria que partisses mas quero muito senti-te finalmente feliz e em paz.
Por isso: Voa minha Amiga porque o mundo é grande *
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Ai que nervos!
· Acordo muda ainda com pior cara do que nos outros dias
· Ligo o rádio no carro e não sai nada, nem uma palavra dançada sequer
· Trabalho meio que sozinha a querer fugir de qualquer companhia ou conversa seja com quem for
· Choro com os conselhos da minha mãe sobre assaltos a carros com meninas dentro
· Me acho feia feia feia feia feia
· Me nascem borbulhas a cada hora
· Me irrito com o cheiro a sovaco matador dos homens no ginásio a ponto de olhes lançar olhares matadores de quem lhes roga uma praga
· Páro o carro em frente a casa e só quero ficar lá dentro, calada e sozinha
· Não consigo concentrar-me num único pensamento positivo mais de 10 segundos
· Só pode ser a merda do TPM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Odeio-o.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Durante a noite
Este senhor, fisicamente dependente, estava cheio de cocó ontem à noite. Descuidou-se e precisou de ajuda. Duas da manhã. Entro no quarto. Olha para mim sorridente. Enquanto o limpo pede-me que lhe chupe a chucha. Que sou tão boa e era bom comer-me. Ainda levanta a mão e tenta enfiar-ma onde a falta de visão não o engana. Amarro-lhe os braços com força e ralho com ele. É só um velhinho, coitado. Insiste. Olha a minha chucha é boa não é? Língua de fora mão no ar à procura de carne.
Este senhor ontem levou o meu querido colega P. à loucura. Mas o senhor pensa que isto é o quê? Está num hospital veja lá se tem respeito! Não o volto a avisar! E o velhote, com pálpebras vermelhas e caídas lá se desculpava. Mas passar a mão não é falta de respeito! Apalpar é falta de respeito! Oh filha oh filha diz lá que não gostas!
E eu limpava-o. Tinha sono, sono. Não me apetecia discutir com ele. Mandei-o calar-se. Cale-se homem! Esteja quieto! E amarrava-lhe os braços. Olhei para ele e vi o demónio. Velho velho, olhos vermelhos, caídos, desvairado. A língua de fora o riso.
O P. defendia-me. Olhe que não o volto a avisar! E o homem possuído parou.

