sábado, 16 de fevereiro de 2013
J.
Ao meu velhinho de hoje devo o pensamento do dia. Pegou-me na cara com as mãos e disse-me "cinquenta milhões de contos menina! já viu?" não Sr. M. nunca vi, respondi-lhe sem perceber. De nada me valiam agora, trocava-os pelas suas pernas e a sua idade! e gargalhou sem parar.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Catarina
Quando fores grande vou lembrar-te dos tempos de pequenina, em que cabias no meu colo envolvida numa manta branca quentinha. Vou dizer-te que, desde que nasceste, o teu pai te adivinhava os sonhos e dizia-me que eram feitos de castelos de areia e tranquilidade. Vou lembrar-me dos olhos rasgados que herdaste da tua mãe, da paz dos teus sonos longos, dos beijinhos suaves que o teu irmão de dá com os lábios que tocam levemente a tua testa. Vou lembrar-te do meu amor por ti, que cresce como as saudades. Vou dizer-te que me cansava de estar longe, da espera nos dias longos, muitas vezes de uma solidão pesada. Que ás vezes os nossos dias são difíceis e noutros são alegria. Que viver é mesmo assim, às vezes as pequenas coisas bastam, noutras nada parece compensar. Vou ensinar-te que a família e os amigos não têm preço, e que se alguns nos escapam outros estão lá sempre. Que ter esperança é ter quase tudo, que nunca devemos magoar ninguém por ousadia, que o mundo à nossa volta melhora se semearmos amor, e que este é a coisa mais importante do mundo.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Este ano, devido ao inverno ameno elas apareceram e floriram num ápice. Quase não tive tempo de as ir vendo nascer, um dia rebentaram de rosa e branco no outro já as flores se transformavam em folhas verdes. Eu amo-as.
Ontem na berma de uma estrada ainda encontrei esta bem florida, mandei um grito histérico e meti pé ao travão. Fui-me aproximando, meti-me debaixo dela, imaginei que, a poder ser uma árvore um dia, queria ser uma amendoeira em flor.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Uma nuvem - disse ela - umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...
Mario Quintana
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Poema do amigo aprendiz - fernando Pessoa
Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias.
Eu Di lamechas me confesso, e neste momento prefiro acreditar que as coisas acontecem para que possamos ser mais e melhor. Mais compreensivos, mais tolerantes, mais capazes de perdoar, de ir além dos limites que julgávamos estipulados. Porque pelos amigos podemos isto mas pelos melhores amigos podemos sempre mais.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Feliz Natal
Quando ontem à noite entramos no quarto da Z. com pinheiros e renas nas cabeça, a cantar "a todos um bom natal", os olhos dela arregalaram, o sorriso desdentado abriu e ela começou muito muito feliz a cantar e a bater palminhas. Foi um daqueles momentos perfeitos, que a felicidade nos abre no peito, aquele tipo de alegria sincera, que nasce quando praticamos o bem, quando damos sem intenção de receber, quando a felicidade da outra pessoa nos basta para compensar tudo.
Foi um Natal Feliz.
Foi um Natal Feliz.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Bem-vindo Inverno:)
A tua chegada foi celebrada no alpendre cá de casa, a sentirmos o sol quentinho bater-nos no corpo coberto ainda pelo pijama. Bebemos café numa chávena grande e ficamos a apreciar os passarinhos a voarem bem perto de nós, a cantarem felizes por entre os arbustos. Lembrei-me das coisas simples e na felicidade que me invade sempre que lhes presto a atenção.
Não vai tardar muito para nascerem as amendoeiras em flor, uma das coisas que me relembram que vale a pena continuar por cá, mesmo que os planos de mudança sejam cada vez mais certos.
O inverno chegou, o fim do ano também e eu não me lembro de me sentir assim, tão optimista em relação ao novo que aí vem.
Não vai tardar muito para nascerem as amendoeiras em flor, uma das coisas que me relembram que vale a pena continuar por cá, mesmo que os planos de mudança sejam cada vez mais certos.
O inverno chegou, o fim do ano também e eu não me lembro de me sentir assim, tão optimista em relação ao novo que aí vem.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
U.
“Lembra te de mim como alguém que já não conseguia rir e que se rio muito por dentro contigo a cantar Beatles”.
Foi assim que se
despediu de mim hoje. Ele que passa grande parte dos turnos a gritar de dor
fantasma. Enchi-me de tristeza por ser incapaz de o aliviar de tamanho
sofrimento dia após dia. Um doente encantador mas muito sério, com um cabelo
branco reluzente, que odiava levantar-se para tomar banho, luz no quarto e
comer. Há umas semanas atrás ainda gostava de me mostrar musica maravilhosa que
ouvíamos os dois como terapia durante horas de tratamentos agressivos, depois
foi deixando de querer qualquer contacto com o mundo exterior ao seu.
Ontem obriguei-o a sair da cama, gritou-me “não” milhares de vezes. Mas eu tive que
o ignorar, tive que lhe ver a raiva nos olhos e ignorar, e esfreguei-o com água
quente e sabão, fiz-lhe a barba com o olhar mais vazio e sério na direcção do
nada que me lembro de ver num doente, obriguei-o a abrir a boca para lavar os
dentes já cobertos de secreções acumuladas. Ele odiou-me. Hoje ardia em febre
quando cheguei de manhãzinha perto dele. Pediu-me “por favor, não quero levantar-me”. Eu disse-lhe que não ia fazer
nada que ele não quisesse. Pus música, ele disse que hoje podia ser eu a
escolher, escolhi Beatles, cantei-lhe o “Let it be” enquanto o lavava parcialmente
no leito e lhe mudava os lençóis da cama. Tão doente. Senti remorsos por o ter
obrigado no dia anterior, pedi-lhe desculpas. “Dá-me um sumo de morango e eu
perdoo-te” disse-me ele. Sorri-lhe e continuei a cantar…
Let it be, let it be
Whisper words of wisdom:
Let it be
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
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