sábado, 6 de agosto de 2011
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
As minhas doentes e os seus poderes
Tratei dela nos últimos dois dias, uma velhinha linda que sentada não chegava com os pés ao chão.
Ontem à noite perguntou-me pelo meu marido e eu disse-lhe que não tinha (já a adivinhar a lamentação), então perguntou-me pelo namorado, e eu disse-lhe que estava muito longe. Está na tropa? Não me digas que foi para a guerra?
Saltou da cadeira e muito despachada foi buscar-me um presente.
Dá me a tua mão minha filha e reza comigo à minha santinha:
| Ó Senhora do Perpétuo Socorro, mostrai-nos que sois verdadeiramente nossa Mãe obtendo-me o seguinte benefício: (faz-se o pedido) e a graça de usar dela para a glória de Deus e a salvação de minha alma. (Rezar, durante nove dias, nove Ave-Marias e, no final, a oração acima.) |
Agradeci-lhe. E ela olhou-me nos olhos com as duas mãos na minha cara e disse-me
- Minha filha, ele vai voltar.
sábado, 30 de julho de 2011
É isso.
Nem quero acreditar
Que vem na minha direção
Há dias que estou a reparar
Nem queres disfarçar
Roubas a minha atenção
Aprecio o teu dom de tornar
Num clique o meu falar
Numa total confusão
Confesso que só de imaginar
Que te vou encontrar
Me sobe à boca o coração
É certo que sempre ouvi dizer
Que do querer ao fazer
Vai um enorme esticão
Mas haverá quem possa negar
Que querer é poder
E o nunca é uma invenção
Bem sei que este nosso cruzar
Pode até nem passar
De um capricho sem valor
Mas porque raio hei-de evitar
Se esse teu ar
Me trouxe ao sangue calor
E Falas do tempo
Prolongas o momento
De um simples cumprimentar
Falas do dia
Falas da noite
Nem sei que responda
Perdida no teu olhar
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Os meus doentes
Demência, é o seu diagnóstico e quando se trata de doenças mentais é sempre tudo muito difícil, porque nunca sei como alcançá-los, como captar a sua atenção, ou como os impedir de me darem uma galheta.
Disse-me para não me esquecer nunca do nosso trato secreto, porque combinamos trocar isto por aquilo. Na minha mão direita contou oito dedos e quando contou os da esquerda, começou… dois, quatro, seis, oito… 20, tens 20 dedos.
Falei-lhe do apelido que temos em comum, leu o nome na minha identificação e lançou-me um ar muito sério. Depois parou, olhou para mim (medo) e disse que ficava contente por sermos bons vizinhos. Não consegue dizer nada com nexo, não se lembra do nome da mulher nem do filho, arranca cateteres com dentes e fica imobilizado na cama, preso pela cintura e braços (detesto fazer-lhes isto) para que pelo menos durma sossegado, sem saltar grades, ou arrancar algálias.
Ás vezes sorri-me quando lhe falo de comida, mas diz que não tem apetite. Quando insisto com ele para que coma tudo até ao fim, grita-me para que pare, e pare já! Hoje caminhou comigo de mão dada (que ficou roxa) pelo corredor, falou e falou. Não sabe em que ano estamos, não sabe que dia é hoje, nem se é inverno ou verão. Não sabe onde está, nem porque está ali. Nem sabe quem é, como se chama, se voltará a ser livre.
Não sei o que lhe aconteceu até ficar assim, até chegar a este ponto de completa ausência existencial. Não é violento, ou pelo menos não o foi até ao momento, mas tem aquele olhar fixo, perdido, descontrolado, como se nada fizesse sentido e já nada lhe importasse.
A esta hora já deve ter levado uma injecção para dormir, todas as noites a mesma coisa, sem ela fica muito agitado e aflito. A noite torna tudo ainda mais assustador, o escuro, o silêncio. Por volta das 5h vai acordar, não grita, mas tentará levantar-se a todo o custo, lutando contra o seu próprio corpo, e às 7h fará mais medicação para se acalmar. Todos os dias, um atrás do outro, até que as melhoras cheguem, ou pelo menos o tragam um pouco mais para o mundo.
Eu não consigo não pensar nele. Amanhã quando chegar, vamos passear novamente pelo corredor, no fundo desejo muito encontra-lo melhor, mais lúcido. Mas é apenas esperança, ela existe, mas é pequenina e frágil. Talvez a nossa lucidez o seja também.
terça-feira, 26 de julho de 2011
domingo, 24 de julho de 2011
sexta-feira, 22 de julho de 2011
Quando voltar não significa dar um passo atrás:
Estive muito tempo à espera de voltar a sentir-me bem. Tanto, que cheguei a duvidar se voltaria a ter vontade de sair da cama para viver a vida lá fora. Senti-me sufocada e por isso parti, com muito pouco, sem grande expectativa, sabendo apenas que à partida pior não poderia ficar.
Decidi regressar quase de um dia para o outro, achando-me um pouco esquizofrénica mas sem me preocupara muito com isso. Nem com isso nem com nada de muito específico. Queria apenas arranjar um trabalho aqui, debaixo do sol, voltar a cuidar dos outros com amor e realização.
Quando cheguei, mal saí do avião deixei-me evadir pelo cheiro da terra quente, da maresia, desta terra que adoro e onde me sinto tão bem outra vez. E com isto voltei a ter fé, voltei a ter esperança de que, de alguma maneira, o caminho agora ia ser diferente e senti-me finalmente preparada para recomeçar. E tudo se foi compondo, correndo bem, com boas noticias umas atrás das outras.
Hoje acordo feliz, respiro o ar quente da manhã feliz, entro no carro feliz, vou trabalhar feliz, vou à praia feliz e sinto, quando o dia começa a terminar, que este bem-estar e tranquilidade que me evadiram continuarão amanhã.
Partir não foi a solução, mas ajudou-me a compreender que há coisas que realmente me definem como pessoa e sem as quais não sei viver. Eu voltei, voltei de lá e voltei a mim. E desta vez espero ficar por muito tempo, e desejo profundamente que este novo ciclo de vida continue a cada dia repleto desta leveza, deste sorriso fácil e deste coração cheio.
domingo, 17 de julho de 2011
terça-feira, 12 de julho de 2011
quinta-feira, 30 de junho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011

os amigos. Os de sangue, os da vida toda, os que estão sempre cá, lá, onde for preciso. Os que não se esquecem e nos amparam quando mais precisamos. Os que não se fartam nunca de nos ver tristes porque sabem que um dia voltaremos a nós.
Os que aplaudem as nossas escolhas mesmo quando desconfiam não serem as melhores, mas respeitam-nas porque as fizemos sozinhos e depois com eles.
Os meus amigos.
Obrigada*







